Shania Twain

segunda-feira, novembro 19, 2007

Entrevista à Revista Redbook - Tradução

Pessoal, me custou boa parte do domingo, mas enfim terminei a tradução da entrevista.

Só para situar os que chegaram agora do feriado prolongado, a Shania foi capa da edição de dezembro de uma revista chamada Redbook, pra qual deu uma entrevista e fez um ensaio fotográfico inédito - e incrivelmente lindo. A postagem com as fotos está aqui.

Pra quem quiser ver a revista como se ela fosse em português, eu fiz uma edição especial, com toda a matéria sobre a Shania traduzida, a entrevista e as fotos, e ainda mantive o layout original da revista. Acho que ficou bem legal, vejam e me digam o que acharam:


Mas para aquele apressados que querem ver só a entrevista traduzida, eis que ela está na íntegra abaixo:
Por que você precisou de todos estes anos afastada?
Minha música reflete o que está se passando na minha cabeça, e minha vida precisa me envolver para que descubra quem estou me tornando. Quando tudo acontece a você de uma só vez - o que, nessa indústria, acontece - não há muito tempo para refletir.

Como é voltar aos holofotes depois de passar tanto tempo em casa com seu marido e seu filho?
Não sou, naturalmente, alguém que ama os holofotes, de modo algum, mas isso [fazer um ensaio de capa para a REDBOOK] é um jeito legal de começar. Eu não me preocupo em ser o centro das atenções num ambiente controlado e confortável como esse. As aparições de tapete vermelho são um pouco mais inquietantes quando você não está a todo o tempo fazendo isso.

Quem é você agora comparada a cinco anos atrás?
Eu estou mais forte. Mais madura, porém não mais despreocupada. Me sinto num período de transições. Estou tentando realmente ficar confortável na minha própria pele, porque não é fácil quando se está em evidência o tempo todo. Não quero alguém fotografando minha celulite - não suporto isso! Veja, isso é onde o vai e vem começa. É um estranho paradoxo: Eu não quero realmente compartilhar meus defeitos com as pessoas, mas ainda sim quero ser real. Eu quero ter sucesso, mas não tenho realmente o que preciso para fazê-lo confortavelmente.

Você vivenciou um enorme e repentino sucesso nos anos 1990. Como você conseguiu se estabelecer e não se deixar cair no esquecimento?
Eu tenho estado no esquecimento, mas de maneira diferente. Eu lutei internamente um bocado com a fama, e conviver com ela tem sido muito difícil. Minha fama me faz muito introvertida em vários aspectos, e eu só estou começando a lidar com isso agora. Cheguei a um ponto onde nunca olhava alguém nos olhos. Isso era como viver numa prisão. As pessoas me reconheceriam, o que era, pra mim, algo horrível. Elas esperavam algo de mim, ou queriam mais, ou queriam me criticar, ou elogiavam-me quando eu não me sentia merecedora, e isso me embaraçava. Às vezes nos shows eu notava alguns fãs e pensava, Cara, como vocês podem me dedicar o tempo de um dia inteiro? Eles eram tão amáveis e prestativos, e eu pensando, Eu dou o meu melhor e adoro o que faço, mas eu não mereço tudo isso! Isso era muito, muito difícil.
Mas eu tenho aprendido que muitas de minhas reações eram só minha própria insegurança. Meu marido disse-me, “Você não entende o quanto você influencia todas essas pessoas - não leve isso pro lado pessoal. Você tem de deixar seu ego fluir.” Agora eu percebo, isso era sobre eles. E não preciso ser tão boa quanto eles pensam, só preciso ser eu mesma e se eles acham isso fantástico e adoram isso, se estão recebendo algo de bom com isso, então é isso que conta.

Quais são suas prioridades agora?
Minha saúde em todos os aspectos - minha saúde emocional, minha saúde mental, emocional e minha saúde física. Nos últimos anos, eu tenho percebido o quão frágil eu sou.

Como você se cuida?
Eu não sou exatamente uma escrava para agradar a todos, o que eu considero ser uma tendência feminina. Eu deixo parte do meu tempo para mim mesma; uma grande parte do tempo para minha saúde mental, emocional e física. Estou começando a praticar yoga, e com muito entusiasmo. Já sou vegetariana há 15 anos e como muitos alimentos crús.

Suas novas prioridades vêm das mudanças da idade na vida - ter tido um filho e chegado aos 40?
Estas são grandes mudanças. Meu filho está com 6 anos agora, e o “timing” de se chegar aos 40 mais o fato de eu ter me dedicado tantos à minha carreira... Agora eu me relaciono mais fortemente àquelas músicas sobre ser uma mulher em um universo masculino do que quando eu as escrevi. Me sinto até mais certa de que o mundo ainda é daquele jeito que eu sempre achei que fosse.

Onde você vê isso em sua vida?
Se você é uma mulher em qualquer idade, você tem esse instinto que te faz sentir o seu futuro já escrito: Você tem que começar a abandonar seus “bonecos de menino”. Começar a só usar saias. Você precisa considerar educar-se, porque nestes dias você espera ser mais independente, ao invés de casar e viver à custa do marido. Mas depois, você começa a ter filhos, o que lhe faz abandonar sua carreira no meio, então para que serviu toda aquela educação? Isso é exatamente a questão que nós mulheres encaramos, e se nós realmente somos talentosas, nós também encaramos outra questão: Nós abandonaremos nosso talento? Podemos fazer isso? Podemos fazer isso tudo pela metade? Muitas mulheres não aceitam isso. Eu sei agora o quão poderosas nós somos e quão difícil é ter esse poder. Eu não estou dizendo que nós escolhemos ser fortes. Não, nós precisamos ser.

É mais um instinto de sobrevivência.
É sim - isso é porque eu uso a palavra “instinto” facilmente, porque como uma garota, você já nasce com essa habilidade. Eu sou contra os homens em tudo. Eu os amo - nós precisamos deles para muitas coisas. Eu só tenho mais a dizer agora sobre o que é ser uma mulher do que eu sempre disse - e eu ainda não disse tudo que precisava dizer! [risos]

As mulheres enfrentam dificuldades na indústria do entretenimento?
Sim. “Mulheres tem bebês, mulheres ficam gordas, mulheres são emotivas” - todas estas coisas. Isso é tudo verdade, mas você não pode pegar nossas qualidades e jogar o resto fora! É sobre isso que eu gosto de cantar. Ainda sinto a necessidade de defender isso, até na minha vida pessoal.

Na sua vida pessoal, o que serve de exemplo da defesa por si mesma?
No nosso lar, só os afazeres domésticos com meu filho. Meu marido e eu somos bons pais. Ele é ótimo com nosso filho. Mas está acima de mim deixar sob a responsabilidade do meu marido a tarefa de tomar conta dele. Se eu não deixo, ela é automaticamente minha. De algum jeito, nós mulheres cuidamos mais do que é preciso algumas vezes. Nós não precisamos controlar tudo. Então escolha o que você quer controlar, e geralmente o que você mais quer controlar são coisas que você curte. Tento priorizar desse jeito. Por exemplo, eu adoro lavar roupa.

O que mais você gosta de fazer como isso?
Eu gosto de manusear as roupas de escola do meu filho e suas pequenas meias. Gosto de por novos lençóis na nossa cama. É tranqüilizador; terapêutico. Eu espero meu marido fazer isso? Não! Se eu quero as coisas feitas do jeito certo, eu não espero que ele faça. Ele é muito bom lavando a louça, e você sabe o que mais? Eu raramente ligo o lava-louças agora, pois não é mais minha a responsabilidade sobre isso.

Agora que Eja está ficando mais velho, você irá dar-lhe alguns afazeres domésticos?
Absolutamente. Ele já gosta de cozinhar. Não adora guardar seus brinquedos, mas irá fazê-lo. Alguns meses atrás eu comecei dizendo, “Eja, eu sou sua mamãe, não sua escrava. Eu não sou uma escolha que fará tudo por você” Agora eu pergunto “Eja, você pode, por favor, pegar água pra mim?” e ele responde, “Mãe, eu não sou seu escravo!”

O que você espera para a infância de Eja?
Eu gostaria que ele fosse desinibido, humilde e honesto, sem ter que se privar dessas qualidades. Quando você não vem de uma família humilde, ter gratidão é uma qualidade difícil de ter. Então nós vamos tentando do nosso jeito mantê-lo agradecido. Nós não o mantemos em uma bolha.

Que lições a sua infância lhe ensinou que você tem passado ao Eja?
Eu não tive escolha de como crescer, mas sou insegura por que outros tiveram mais. Mas sou muito grata a isso, pois também fez-me humilde. Agora que eu tenho e não sou uma pessoa pobre, tenho aprendido como é importante manter a humildade.

Como são os feriados para você e sua família? Seus irmãos ainda estão no Canadá. Você os vê no Natal?
No último ano nós tivemos um grande Natal com todos juntos, e foi realmente ótimo. Geralmente, Mutt, Eja e eu fazemos uma festa simples de Natal. Ele é igualmente comercial para nós, pessoalmente. Nós ficamos envolvidos com a comunidade. Lá há um monte de programas sociais em nossa vizinhança onde nós coletamos brinquedos e os doamos.

A música sempre tem estado em grande parte da sua vida? Você ouve um pouco de música quando está em casa?
Não. Eu realmente não gosto de música como tema de fundo. Eu preciso ter algo para ela, me perder nela. Quando era adolescente, eu ficava andando com meus amigos, e se minha música preferida começasse a tocar, eu dizia, “Quietos!”

Em que música você tem se perdido ultimamente?
Eu ouço muitas coisas. Ponho músicas do Michael Bublé que eu amo demais; Consigo me perder com Etta James.

As canções que você está escrevendo para o próximo álbum são mais introspectivas que o normal?
Sim, definitivamente. Elas são sobre a insegurança que a fama me passa. Eu achava tão difícil lidar com a crítica - não a crítica profissional, mas a crítica pessoal. Não quero ver as pessoas preocupadas com os meus defeitos. Isso me frustra e me faz concentrar em coisas ruins. Eu quero focar-me nas minhas canções. Então, esforço-me nisso e estou chegando ao ponto onde, agora, posso honestamente dizer, “Ou eu fico confortável em ser eu mesma, ou desisto dessa indústria.”

Que tipo de mensagens você quer transmitir para as mulheres que a ouvem?
Eu sinceramente acho que a saúde mental da mulher é crucial. Nós estamos de um jeito tão superficial. Precisamos ser capazes de ir de nós mesmas. Eu quero me sentir bem em ser eu mesma.

Tudo que você viveu ou sentiu de alguma forma encontra forma nas suas canções?
Absolutamente. Tudo que eu escrevo é inspirado por alguma coisa que aconteceu a mim em algum momento.

Em que sentido criar uma fragrância é como criar uma música?
Naturalmente, eu ponho minhas idéias criativas na música, então foi muito diferente colocá-las em algo mais palpável - em um frasco. Mas eu ainda espero que ele seja original e reflita quem eu sou.

Como você define aborda o Shania Starlight, sendo tão comparado à sua primeira fragrância?
Para a nova, a idéia de romance e ter algo para a noite atraíram-me. E assim como minha música, eu queria ir na direção do poder feminino. Isso é quem eu sou agora em minha vida e onde eu provavelmente estarei, parece-me, por um tempo. Então, não é preciso usar algo só porque seu namorado acha que cheira bem, mas sim usar algo que te faz sentir bem consigo mesma. Acho que nós temos cada vez menos tempo para fazer uma quantidade enorme de coisas, e isso tudo é sobre aqueles pequenos momentos de auto-tolerância e de sentir-se glamurosa.

Como você imagina seu futuro?
Eu cresci constantemente muito solitária, e isso fez-me criativa. Então, de repente, eu comecei a ter sucesso com a música, o que foi algo extremamente extrovertido. Agora, estou em algum lugar meio, tentando balancear meu desejo de solidão com a exposição que a fama traz. E você fala sobre um futuro remoto, eu provavelmente estarei nem algum lugar esquecido do Canadá, vivendo entre alces e ursos. [ risos ]

Pelo que você luta em suas músicas agora?
Eu quero continuar escrevendo e gravando coisas que afetem as pessoas de um jeito positivo e continuo tentando fazer canções que tenham um significado. O que eu escrevo e canto é uma grande parte de quem eu realmente sou. Só quero escrever músicas que façam a diferença.

Olha, vou confessar a vocês que de todas as entrevistas que eu já traduzi, essas foi a que me deu mais prazer. Puxa, Shania é tão verdadeira e inteligente. Eu aprecio muito essas duas qualidades.
Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu. Ah, e se alguém achar algum erro de gramática ou concordância, por favor, me avise.

Abraços e até a próxima.

3 comentário (s):

CSTF disse...

Oi Paulo! É a Jú hehe, td bom? Eu to visitando todos os sites da Shany pra saber mais das novas fotos, ficou muito bacana sua edição :D gostei, aliás a matéria em si está ótima como vc disse, uma das melhores, principalmente o Eja dizer que não é escravo dela HAHAHA que engraçadinho ^^ Deixa eu aproveitar e te pedir se posso postar os seus walls no meu flog, vc deixa? Aqueles mais antigos, tava olhando o seu arquivo, tem mta novidade e por sinal lindos! Ah e outra coisa, pq vc me deletou do seu orkut? Tá de mau de novo ahuahuahua :)

Abraços :*
Julianna.

Paulo Twain disse...

Oi Juh!

Que bom que gostou dessa minha versão brazuca da RedBook! :D
Bem, vc pode postar qualquer wall que vc quiser, são todos seus :)

Sobre o orkut.. eu estive deletando alguns amigos que ficavam enviando mensagens com coisas impróprias, ahco que era algum virus e tinha uma juliana, minha colega, que eu deletei pra parar de receber esas mensagens. Acho que deletei a juliana errada. hauahau. Bem, vou te adicionar de novo então.

Beijão!

CSTF disse...

thanks Paulito ;P
add sim, pq pow não vale né! eu sou Julianna com dois NN haha, vc não pode se confundir meeww :P

bjinhos :*

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